parágrafo sobre os capítulos 1, 2 e 3 do livro "filosofia da caixa preta"

 PARÁGRAFO SOBRE OS CAPÍTULOS 1, 2 E 3 DO LIVRO "FILOSOFIA DA CAIXA PRETA"


    Os primeiros capítulos do livro "Filosofia da Caixa Preta" abordam a invenção da imagem pelo homem e o que decorreu desde então, até a criação da imagem técnica, passando ainda, pela escrita. De acordo com o livro, a imagem foi criada pelo homem como um instrumento para representar algo (normalmente presente no espaço), sendo aos seus receptores um espaço interpretativo. Ao examiná-la, o olhar tende a a vaguear em círculos e sempre voltar para elementos preferenciais (que se tornam centrais). Disso, porém, surge a idolatria, na qual o homem passa a viver em função das imagens ao invés de se servir delas em função do mundo, vivenciando-o como um conjunto de cenas (representadas pelas imagens).
    A partir disso, foi criada a escrita linear, traduzindo essas cenas em processos, abrindo a visão para o mundo concreto que as imagens escondiam. Isso resulta na luta da escrita contra a imagem; da consciência histórica contra a consciência mágica. No entanto, por a escrita preservar apenas uma das quatro dimensões do espaço-tempo (ao passo que a imagem preserva duas), com a invenção dela, o homem se afastou ainda mais do mundo concreto ao invés de dele se aproximar. 
    A crise dos textos dá lugar, então, à criação das imagens técnicas, como a fotografia, que nada são além de imagens produzidas por aparelhos. Elas não precisam ser decifradas, dado que seus significados se revelam automaticamente sobre suas superfícies. Isso faz com que o observador olhe para imagens técnicas como janelas para o mundo, confiando nelas tanto quanto confia em seus próprios olhos. Essa objetividade delas é apenas ilusória, e imagens técnicas são tão simbólicas como qualquer outra imagem. 
    Os instrumentos (usados para criarem imagens técnicas, como câmeras, por exemplo), passam a chamar-se máquinas, o que inverte a relação deles com o homem. Ao passo que antes o homem era a constante da relação e os instrumentos funcionavam em função dos homens, depois, a máquina passou a ser constante, e grande parte da humanidade passou a funcionar em função dela. Isso é a chave do capitalismo, que divide a humanidade entre os que usam as máquinas em seu próprio proveito e os que funcionam em função desse proveito.
    Essa nova relação, então, retira o homem como trabalhador e o coloca como jogador, que brinca contra seu brinquedo (máquina), em busca de esgotar seu programa. No fim, na atividade de fotografar, há a desvalorização do objeto e a valorização da informação como sede de poder.

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