parágrafo sobre os capítulos 7, 8 e 9 do livro "filosofia da caixa preta"

 PARÁGRAFO SOBRE OS CAPÍTULOS 7, 8 E 9 DO LIVRO "FILOSOFIA DA CAIXA PRETA"


    Nos capítulos 7, 8 e 9 da obra “Filosofia da Caixa Preta”, são discutidos a recepção da fotografia pelas pessoas, o universo fotográfico, e a filosofia da fotografia.
    O autor afirma que saber fotografar não implica saber decifrar fotografias. Os compradores (e portanto, possuidores) dos aparelhos fotográficos são funcionários do aparelho da indústria fotográfica no sentido de que aparelhos de publicidade programam essa compra. O possuidor do aparelho fotográfico pode fotografar “bem” sem nem saber o que se passa no interior do aparelho, ou seja, sem decifrá-lo. Esse aparelho é sedento por fazer cada vez mais fotografias; e fotografar, pode assim, virar mania, de modo que o homem se sente cego sem o aparelho, e não sabe mais olhar a não ser através dele. Essa mania resulta na vitória do aparelho sobre o homem. Assim, quanto mais gente fotografando, mais difícil se torna o deciframento das fotografias, pois todos acreditam que sabem fazê-las.
    Dessa maneira, o vetor significado se inverteu de forma que o símbolo é o real e o significado é o pretexto. Ou seja, se a fotografia traz tudo à sua casa, por que fazer a viagem para ver o acontecimento? Desse jeito, a fotografia vai modelando seus receptores, reprimindo a consciência histórica e desviando sua faculdade crítica.
    Esse universo fotográfico habitua as pessoas ao “progresso” (à alteração constante de fotografias), de modo que ele não é mais percebido. O universo fotográfico é produzido com os homens construindo aparelhos e alimentando-os com conceitos claros e distintos. Hoje, porém, existem aparelhos de “segunda” geração que podem ser construídos e alimentados por outros aparelhos, de forma que os homens vão desaparecendo. A cada fotografia corresponde uma determinada permutação de conceitos no programa do aparelho e a cada permutação, uma determinada fotografia. Assim, os vetores de significação se invertem de modo que não é mais o pensamento que significa a coisa extensa, mas é a fotografia que significa um “pensamento”.
    O universo fotográfico é um dos meios do aparelho para transformar homens em funcionários. Entrar nesse universo implica viver, conhecer, valorar e agir em função de fotografias, ou seja, existir em um mundo-mosaico. Nenhum homem pode mais controlar o jogo, e quem participar dele, será controlado por ele. O universo fotográfico não é apenas um evento do funcionamento, mas sim o modelo da vida futura.
    Em suma, o homem inventa os instrumentos, usando seu próprio corpo como modelo, esquece-se do modelo, se aliena, e toma o instrumento como modelo do mundo, de si próprio e da sociedade. Dessa forma, liberdade é jogar contra os aparelhos.
    A filosofia da fotografia é necessária pois reflete sobre as possibilidades de viver livremente em um mundo programado por aparelhos, sua tarefa sendo, portanto, apontar o caminho da liberdade.

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